Tecnologia no mundo jurídico muda paradigma da advocacia

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São Paulo – Não basta dominar as leis, mas integrar a sua aplicação ao DNA do negócio do cliente, lançando mão de soluções paralegais. E baratear o custo dos serviços prestados com a padronização de parte dos contratos, inclusive com o uso de aplicativos.

Essa mudança de paradigma na advocacia no mundo desenvolvido já começa a impor novos desafios a profissionais no Brasil. O Zilveti Advogados inovou em uma série de procedimentos para se adaptar às exigências do mercado do business law.

“Os desdobramentos das inovações tecnológicas na economia e nos hábitos de consumo requerem da advocacia uma presença cada vez maior na gênese dos negócios e das empresas”, afirma Fernando Zilveti, sócio fundador do Escritório Zilveti Advogados, com atuação nas áreas de Direito Tributário, Comercial, Constitucional e Direito Público; e sócio da WTS do Brasil, empresa de consultoria tributária presente em 150 países.

“Estamos vivendo a onda dos aplicativos de gestão, contabilidade, logística, controle de estoques, entre outros. Daqui a pouco vão chegar no Brasil os aplicativos jurídicos, que vão revolucionar a forma como os serviços jurídicos são prestados, já em uso nos Estados Unidos, por exemplo”, comenta Zilveti.

Direito romano

A chegada da tecnologia ao mundo jurídico também será facilitada pela padronização – ou “commoditização” – das decisões dos tribunais, inclusive por meio das súmulas vinculantes – mecanismo criado em 2004 com a Emenda Constitucional 45, – que obriga juízes de todos os tribunais a seguirem o entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre determinado assunto com jurisprudência consolidada. “Os tribunais estão olhando a tendência, não mais o problema isolado”, diz. A tendência de desaparecimento dos departamentos jurídicos das empresas é outro fator que impulsiona as alterações nos escritórios de advocacia.

Na avaliação de Zilveti, a chegada dos aplicativos jurídicos vai impor aos advogados a necessidade de adequação à modernidade. “Vai mudar a forma de pensar dos profissionais do Direito. Teremos de oferecer produtos baratos. Teremos de ser, ao mesmo tempo, especialistas em leis e generalistas para abarcar tudo que é relevante para o negócio do cliente, não apenas o Direito”, sublinha o fundador do Zilveti Advogados, banca de tamanho médio com faturamento anual de R$ 8 milhões ao ano. “Assim como o comércio eletrônico trouxe alterações radicais para os comerciantes, que estão tendo de se reinventar a todo momento, os advogados também precisam modernizar a forma de pensar e exercer sua profissão. Não basta mais só dominar o direito romano se o profissional não souber a essência do negócio do seu cliente”, afirma Débora Puig, também sócia do escritório.

Ou seja, sem deixar de ser advogado, o profissional coordena tarefas que não farão parte de um processo, mas estão inseridas no contexto do negócio da empresa.

Mudança física

A reestruturação do Zilveti começou em 2010 com o foco na especialização em três áreas de negócios: indústria farmacêutica, manufatura (automotivo e máquinas e equipamentos) e varejo. Nesta fase, a banca empreendeu esforço em conhecer o negócio e o universo empresarial desses segmentos econômicos. Depois houve a redução do número de sócios – de 80 para cerca de 35, número que permanece até hoje.

Em 2012, quando a banca enfatizou a assessoria empresarial, a adaptação ao novo conceito do exercício da advocacia deu mais um passo com alterações inclusive no espaço físico do escritório, conta a sócia Ana Marta Cattani Zilveti. “Para trazer ao cotidiano a ideia de que o advogado não deve ficar encastelado no mundo jurídico, mas estar integrado ao universo da empresa-cliente, rompemos paredes do escritório, criando um ambiente mais amigável”, acrescenta. O novo paradigma da advocacia inclui ainda a sustentabilidade na rotina do trabalho. A utilização do papel foi abolida com a otimização da tecnologia, a iluminação LED foi adotada para economizar energia elétrica e os sócios passaram a ter a liberdade de fazer seu horário.

“Tudo é pensado para dar ao dia a dia uma dinâmica mais próxima do negócio e empreendedorismo”, ressalta Marta.

Soluções paralegais

Outra inovação do Zilveti Advogados é a ênfase às soluções paralegais como parte do trabalho jurídico. “Existem várias circunstâncias em que o caminho não é necessariamente o previsto pelos instrumentos jurídicos, mas por outras saídas que destravam o problema”, explica Leandro Brudniewski, outro sócio do escritório. Para isso, o Zilveti possui uma rede de parceiros que abrange economistas, engenheiros, contadores, peritos ambientais, entre outros especialistas.

“Cálculos de custos de locação de espaços em shopping center, por exemplo, demandam o trabalho de um especialista na área”, acrescenta o sócio.

Não são raras as vezes em que os problemas que demandam uma providência paralegal são encaminhados antes do tratamento ao aspecto legal, ressalta Brudniewski.

As mídias sociais são importante canal de comunicação do escritório com os cerca de 100 clientes atuais e potencial futura clientela. A criação de conteúdos nas redes sociais, com a emissão de opiniões sobre assuntos em pauta na mídia, é encarada pelo escritório como uma maneira de se aproximar dos clientes.

Terceirização

A terceirização dos serviços jurídicos antecede a “commoditização” dos contratos, explica Zilveti. O Brasil ainda está entrando na fase da terceirização, já bastante utilizada em países desenvolvidos. “Como parte do pragmatismo, os Estados Unidos já terceirizam os serviços jurídicos para a Índia e mais recentemente para o México”, relata Fernando Zilveti. Segundo ele, a Nestlé resolve no México a maior parte dos contratos feitos no Brasil.

Os contratos das áreas penais e tributária são mais difíceis de serem padronizados, pois antes será necessário padronizar as regras internacionais, informa Zilveti. Mas a mudança já ocorre nos contratos envolvendo assuntos trabalhistas, mobiliários, regulatórios e de compliance..

“O passo seguinte à terceirização é o uso de aplicativos jurídicos. Com isso, vai ser possível jogar nos aplicativos os contratos que podem ser padronizados”, acrescenta Zilveti. Na opinião dele, esse novo modelo de prestação de serviços jurídicos não vai excluir os advogados, mas dará escala maior a esses serviços, ainda mais em um país como o Brasil, que possui mais de cinco mil municípios.

Fonte: DCI

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