Governança Corporativa é caminho sem volta! Dra. Ana Marta Zilveti – DCI

São Paulo, 19 de agosto de 2010

Governança Corporativa é caminho sem volta!

Por Dra. Ana Marta Zilveti

Por estas paragens tropicais, o termo Governança Corporativa ganhou destaque nos meios empresariais e chamou a atenção dos holofotes da mídia especializada no início dos anos 90. Ou seja, há 20 anos esta palavra pulula por aqui. E por incrível que pareça, ainda suscita dúvidas. Provavelmente o mesmo deve ter ocorrido nos EUA, onde o termo foi criado, bem no começo do século passado. Mas o tempo, que para alguns diz muito e para outros nada, não deve servir de desculpa para não se entender e, mais que isso, empregar os conceitos de Governança Corporativa no dia-a-dia da gestão das empresas, independentemente do seu porte e tipo societário. Não se trata de nenhuma panacéia, mas os benefícios que gera são inúmeros.

Por isso, o primeiro e mais importante passo de qualquer empresa que pretende aventurar-se no universo da Governança Corporativa é saber o que são e qual a contribuição das boas práticas de Governança Corporativa. Já o sabem de velho, mas certo didatismo se faz necessário porque não é raro deparar com este tipo de questionamento no dia-a-dia profissional. Assim, Governança Corporativa pode ser descrita, de forma simples e objetiva, como um conjunto de processos, políticas, práticas e mecanismos que regulam a maneira como uma empresa é dirigida, administrada ou controlada.

Sobre a contribuição das boas práticas de Governança Corporativa pode-se dizer que aumentam o controle das ações dentro da empresa, ajudam a evitar riscos desnecessários e, principalmente, aumentam a transparência da gestão da empresa perante seus investidores, público interno, clientes e consumidores.

Governança Corporativa cai bem para qualquer tipo e porte de empresa. Mas cai melhor, como se feita sob medida, para as empresas com cultura familiar na administração dos negócios. O aumento do número de herdeiros e as disputas entre gerações podem comprometer a perenidade da empresa, se não forem bem conduzidos. É sabido que inúmeras empresas familiares sucumbiram, vítimas dessas disputas. Mas, com a adoção de boas práticas de governança, empresas familiares podem verdadeiramente se reorganizar, muito além de uma simples profissionalização de gestão, redescobrindo sua essência e se valendo de suas características familiares como diferencial competitivo.

Qual é o momento que se pode classificar como ideal para uma empresa implantar no seu modelo de gestão os processos ditados pela Governança Corporativa? Não existe momento ideal, pois todas as empresas deveriam nascer com estes conceitos em seu DNA. Afinal, em tempos de economia globalizada e troca instantânea de informações entre os mercados, qualquer empresa que não tenha planejamento e transparência certamente ficará com a sua imagem abalada diante dos olhares críticos e desconfiados, não só dos investidores e possíveis interessados, como também de clientes e fornecedores.

A adoção das práticas de governança corporativa e a conseqüente organização de toda a estrutura da empresa abrem caminho para o sucesso, por conferir transparência à organização. Apesar disso, muitas empresas ainda consideram saber mais sobre o tema Governança Corporativa apenas quando começam a ver seus recursos financeiros se esvaírem e o tamanho do seu mercado diminuir consideravelmente. Este tipo de postura no controle das organizações, de aguardar sempre até o último minuto para a tomada de decisão, não cabe no moderno cenário econômico mundial.

Por tudo isso a Governança Corporativa, embora não seja panacéia como frisado nos parágrafos acima, deve fazer parte de qualquer estratégia empresarial. O Sr. Mercado exige!

Ana Marta Cattani Zilveti, advogada em São Paulo, mestre em direito civil pela Faculdade de Direito da USP, membro do IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa.

DCI – Caderno Opinião

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